O Terreiro Ensina: Diálogo entre saberes acadêmicos e fé no combate ao racismo religioso
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O Terreiro Ensina: Diálogo entre saberes acadêmicos e fé no combate ao racismo religioso

Este artigo aborda o terreiro ensina: diálogo entre saberes acadêmicos e fé no combate ao racismo religioso de forma detalhada e completa, explorando os principais aspectos relacionados ao tema.

Evento 'O Terreiro Ensina'

No último sábado (7), o Terreiro de Umbanda São Pedro, em Santarém, oeste do Pará, promoveu a roda de conversa 'O Terreiro Ensina: entre o sagrado e o direito de crer'. O evento teve início às 16h e proporcionou um diálogo essencial sobre a liberdade religiosa, a preservação de memórias ancestrais e a luta contra o preconceito institucional.

A pesquisadora e umbandista Luciana Guedes, mestranda em Ciências da Sociedade pela Ufopa, foi a idealizadora da iniciativa. Com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Letras e em Ciências da Sociedade da mesma universidade, a roda de conversa estabeleceu uma conexão valiosa entre a produção científica e a vivência das comunidades tradicionais.

O evento destacou a importância do terreiro como um território de memória e saber legítimo. Além disso, enfatizou a oralidade como ferramenta pedagógica e promoveu a valorização das cosmologias afroindígenas. A participação na roda de conversa garantiu aos presentes um certificado de 3 horas, reforçando o respeito ao sagrado e à diversidade de crenças.

Luta e saberes

A luta contra o racismo religioso é um tema central no Terreiro de Umbanda São Pedro, em Santarém, oeste do Pará. A pesquisadora e umbandista Luciana Guedes, mestranda em Ciências da Sociedade pela Ufopa, destaca que o terreiro é um espaço legítimo de saber, onde são cultivados o cuidado coletivo e o respeito às diferenças. Em um país historicamente racista, o 'direito de crer' não é apenas uma garantia constitucional, mas sim uma luta diária pela sobrevivência física e espiritual.

Além disso, a importância da oralidade como ferramenta pedagógica é ressaltada no Terreiro São Pedro, que atualmente sedia duas pesquisas de mestrado focadas em ações educativas contra o racismo religioso. Essas iniciativas buscam fortalecer a rede de diálogo entre a universidade e as comunidades tradicionais, promovendo o reconhecimento da humanidade do outro através da convivência.

O anfitrião da casa, o sacerdote João Paulo Obarassy, enfatiza que abrir o terreiro para o público externo é fundamental para reafirmar a identidade e a acolhida da região. Para ele, compartilhar os saberes que entrelaçam as cosmologias afroindígenas é essencial para mostrar que o sagrado se faz no respeito e na convivência com a pluralidade. Participantes da roda de conversa receberão certificado de 3 horas, reforçando a importância do diálogo e do aprendizado mútuo.

Acolhimento e Cosmologias

No Terreiro de Umbanda São Pedro, a questão do acolhimento e das cosmologias afrobrasileiras é fundamental para promover a união entre saberes acadêmicos e religiosos. Segundo o sacerdote João Paulo Obarassy, a abertura do terreiro para o público externo é uma maneira de reafirmar a identidade e acolher aqueles que desejam conhecer a fé praticada no local. Para ele, a casa sempre foi um lugar de cura e resistência, onde os saberes que entrelaçam as cosmologias afroindígenas são valorizados como base para a convivência e o respeito mútuo.

Essa abertura para o diálogo e a troca de conhecimentos é crucial para combater o preconceito religioso e promover a pluralidade cultural. No terreiro, são valorizados os ensinamentos ancestrais que permeiam as práticas religiosas, mostrando que o sagrado se manifesta no respeito e na convivência harmoniosa entre diferentes visões de mundo. O acolhimento proporcionado pelo Terreiro de Umbanda São Pedro é uma forma de desarmar o preconceito e promover a compreensão mútua, ressaltando a importância do respeito ao solo sagrado e às tradições religiosas.

Ao participar da roda de conversa "O Terreiro Ensina", os visitantes têm a oportunidade de vivenciar experiências enriquecedoras e receber um certificado de 3 horas, demonstrando assim o compromisso da casa com a promoção da cultura afrobrasileira e o respeito às diversas formas de religiosidade. O evento gratuito e aberto a todas as pessoas, independente de suas crenças, reforça a ideia de que o diálogo entre saberes acadêmicos e fé é essencial para o combate ao racismo religioso e para a construção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa.

Respeito ao sagrado

O respeito ao sagrado é um dos pilares fundamentais para o convívio harmonioso entre diferentes crenças e tradições religiosas. No Terreiro de Umbanda São Pedro, esse respeito se manifesta não apenas na forma como os praticantes da fé se relacionam com o sagrado, mas também na maneira como recebem aqueles que buscam conhecer e compreender essa tradição.

Ao participar da roda de conversa "O Terreiro Ensina", os visitantes são convidados a vivenciar o sagrado de forma respeitosa e acolhedora. A recomendação de utilizar roupas condignas durante o evento demonstra o cuidado e a reverência ao espaço sagrado, respeitando as tradições e os rituais ali realizados.

O respeito ao sagrado vai além do simples cumprimento de normas e regras. Ele se manifesta no acolhimento, na escuta atenta e na abertura para o diálogo entre diferentes visões de mundo. Ao reconhecer a sacralidade presente em cada tradição religiosa, o Terreiro de Umbanda São Pedro fortalece os laços de respeito mútuo e promove a construção de uma sociedade mais plural e inclusiva.

Fonte: https://g1.globo.com